Concurso Literário Metacantos 2015 – 1º lugar
Bordado
Gabriel Percegona – Curitiba – PR

Escrevo como quem faz um bordado.
Na ponta da agulha teço letras,
tranço palavras,
entrelaço frases:
costuro poesia.

Feixes de sentimentos atravessam meu corpo,
irrigam meu coração.
Finos fios os conduzem,
microcapilarmente,
veia por veia,
à palma da minha mão,
à ponta dos meus dedos,
à extremidade da agulha.

A poesia nasce dentro de mim,
me percorre,
me perpassa,
me compõe:
sou poesia enquanto escrevo.
Mas nada é eterno.
É necessário cortar o cordão
que liga criador e criação.
Com o fio da navalha
a
poesia
se
espalha
das linhas da palma da minha mão.

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