Entrevista com Flávio Machado, 1º lugar no Prêmio LiteraCidade 2013-Poesia, na categoria ‘livro completo’ com os originais de ‘Provisórios‘.

Flávio Machado – Poeta nascido no subúrbio carioca de Marechal Hermes em 1959. Participou dos movimentos literários ocorridos no final dos anos 70 e início dos anos 80. Começou a escrever na infância, inicialmente com peças para teatro de bonecos, passando para letras de música. Influenciado por Oswald de Andrade, Mario Quintana e Ferreira Gullar. Colaborou com vários órgãos da imprensa alternativa. Participou de diversas Antologias Literárias. Vencedor de diversos Concursos literários entre eles da Editora Blocos em 2002, originando a publicação em 2003 do livro Sala de Espera. Em 2013 com o livro: Provisórios, obteve, além do primeiro lugar no Prêmio LiteraCidade, o segundo lugar no Troféu Ivan Junqueira, Concurso Nacional organizado pela Academia Carioca de Letras. Hoje radicado em Cabo Frio/RJ. É Engenheiro Agrônomo e de Segurança do Trabalho, casado, quatro filhos.

Editora LiteraCidade – Flávio, conte-nos como foi seu primeiro contato com a palavra poética. Como a literatura mais especificamente em versos passou a fazer parte de sua vida?

Flávio Machado – Como está na contracapa do livro Provisórios, ainda menino lia muito nas férias na casa de minha avó, e comecei a escrever pequenos textos para as nossas brincadeiras de teatro infantil com bonecos, na pré-adolescência, começam as músicas, e depois os primeiros poemas, a canção popular, Oswald de Andrade e os poetas do movimento marginal foram as primeiras influências. Devo ter nascido poeta. Lembro que sempre tive um outro olhar sobre os fatos mais corriqueiros, e com descoberta da possibilidade de traduzir isso em palavras vieram os versos. E ainda estão vindo.

Editora LiteraCidade – Você escreve desde a década de 70, quando o Brasil estava sob o regime militar e a linguagem literária precisava empregar a linguagem da fresta. Como era sua escrita neste período? Quais artifícios você usava para driblar a censura? O que mudou no seu trato com a linguagem de lá para cá?

Flávio Machado – Não sei se isso é motivo de destaque biográfico, mas minha casa foi invadida em 1979, e por pouco não fiz parte das estatísticas da ditadura, eu não tinha muita sutileza para escrever contra o regime militar, talvez tenha contribuído para a invasão, ou tenha sido mero mal entendido como foi dito na época. Então não me escondia por não ser tão perigoso assim para o regime militar, sobre isso escrevi alguns poemas na década de 80, como: semana da pátria: para que lado/pende/o pendão da esperança, entre outros poemas dessa época. Eu não tinha artifícios, e a escrita era feita em cima do movimento que comandava essa geração dos anos 70. Eu fiquei à margem deles, não sou citado nos compêndios ou livros didáticos de literatura para o ensino médio, como vários de meus contemporâneos.

Hoje com a liberdade o discurso ficou mais sutil, o que parece uma contradição, e talvez sinta ou tenha um equivocado sentimento de patrulhamento. Hoje, no entanto, não tenho a pressa dos anos 70 e 80. Elaboro mais os poemas, e muitas vezes, reviso e altero o texto até ficar o mais enxuto possível. Isso me levou ao hai cai, lancei em 2013 um livro com tiragem reduzida somente com hai cais, chamado “Livro Azul”, que faz parte de uma trilogia, com os inéditos: “livro branco” e “livro amarelo”, sem previsão de lançamento. A forma de escrever ganhou maturidade nesses anos de sobrevivência literária.

Editora LiteraCidade – Como foi seu processo de escolha dos poemas que integram o livro Provisórios (1º Lugar no Prêmio LiteraCidade 2013-Poesia e também premiado pela Academia Carioca de Letras)?

Flávio Machado – Esse livro é resultado de uma insistente busca, inclui e cortei poemas ao longo de três anos, e participei de alguns Concursos Literários, alguns sem resultado positivo. Trabalhei muito a forma de cada poema selecionado para o livro, foi uma carpintaria, trabalho braçal de fato, até chegar a uma resultado que considerei satisfatório.

Editora LiteraCidade – Quais são seus autores de cabeceira, ou quais os autores aos quais você sempre costuma voltar para ler, poderia apontar possíveis influências que confluência em sua produção, especialmente neste “Provisórios”.

Flávio Machado – Os poetas são meus autores de cabeceira. Oswald de Andrade, Mário Quintana e Ferreira Gullar estou sempre lendo e relendo, e nunca é a mesma leitura, durante a elaboração do livro estava lendo Drummond e vários poemas estão relacionados com essa leitura. Os títulos dão essa pista, como o “inspirado totalmente em Drummond” que faz parte do livro, mas tem uma soma de influências desses autores preferidos no Provisórios, citados ou referenciados, o “poema passado a limpo” foi escrito sobre a influência da leitura do poema sujo de Ferreira Gullar, por exemplo. E assim todo o livro vai sendo resultado dessas vivências.

Editora LiteraCidade – Que avaliação você faz de prêmios, concursos e outros certames literários para a efetiva presença na cena literária contemporânea, alternativa ou não?

Flávio Machado – Considero de extraordinária importância, e através deles publiquei dois livros: Sala de Espera e Provisórios, fora as Antologias e coletâneas que participei em função dos Concursos, servem para a gente se localizar dentro do panorama literário atual. As motivações dos concursos levam a procura pelo texto, pelo trabalho mais dedicado dos versos.

Editora LiteraCidade – Antes do resultado do PLC-2013-Poesia você já havia participado de uma coletânea poética conosco. Como chegou até nós? Já havia ouvido falar do trabalho que nós estamos tentando desenvolver?

Flávio Machado – Não havia participado de nenhuma antologia anteriormente, até o livro com poemas de natal , soube do concurso através de anúncios na Internet em páginas de Concurso de Poesia

Editora LiteraCidade – Como foi sua reação ao receber o comunicado de sua premiação em nosso certame? E como foi sua reação ao ver ‘ratificada’ sua premiação conosco ao receber o comunicado da Academia Carioca de Letras?

Flávio Machado – Estava em um Encontro de Trabalho em Búzios, no intervalo entre as atividades consultei via Blackberry a publicação do resultado, e quase não acreditei quando vi o resultado. Corri ao telefone para avisar a minha esposa Ana. Vibrei um bocado com a notícia, e depois quando soube do resultado da Academia de Letras Carioca, conclui que o livro estava realmente maduro para publicação. Ainda pode haver surpresas, estou concorrendo ao Prêmio Florbela Espanca em Portugal com o mesmo livro, com algumas inclusões pela necessidade de atender ao regulamento.

Editora LiteraCidade – Você também escreve prosa? Conte-nos sobre sua ficção literária?

Flávio Machado – Escrevo crônicas, e minicontos. Tenho pronto pelo menos um livro de crônicas, que chamei de “crônicas em estado crônico”, e dois livros de minicontos : síndrome do poente e exercícios (clube de assassinos). A prosa segue a mesma linha da poesia. Alguns poetas amigos costumam falar que tenho um estilo cinematográfico, como se escrevesse com uma câmara na mão. Assim também é nos textos em prosa, frases curtas e recheadas de imagens.

Editora LiteraCidade – Tem algum projeto novo em andamento para 2014? Fale-nos sobre seus planos para o futuro.

Flávio Machado – Tenho planos de publicação dos livros de hai cai para montar a trilogia das cores. Está nos planos a publicação de mais um livro de poesia e de um livro de minicontos, para dar uma encorpada na relação de obras publicadas, ainda tenho o projeto de reunir em livro todos os poemas premiados. E no mais, meus planos são de escrever muito, e terminar de escrever dois livros de poesia que estão sendo elaborados há dois anos, um ainda sem nome e o outro chamam versos novos.

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